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Cerca de 100 policiais e bombeiros militares de Santa Catarina assistiram a sessão ordinária da Assembleia Legislativa nesta terça-feira (22). Eles foram acompanhar o pronunciamento do deputado Sargento Lima (PSL), que mais uma vez expressou indignação pela falta de reposição salarial das categorias. Policial Militar, Lima entrou em atrito com o próprio governo, de seu partido, e reforçou que não faz mais parte da base de apoio de Carlos Moisés/Daniela Reinehr no Legislativo. Na tribuna, disse que a Saúde e a Educação tiveram tratamento cuidadoso do Executivo, mas a Segurança Pública ficou de fora. “São 40% de perda de poder de compra em seis anos sem reposição”, cobrou.

Além disso, criticou a posição do governo de culpabilizar as gestões anteriores. “Quando você assume o governo não herda também os problemas?” O líder de governo na Casa, deputado Maurício Eskudlark (PL), disse que o Executivo está ciente do problema e está ajustando as contas para abrir espaço na folha de pagamento. O vice-líder de governo, deputado Coronel Mocellin (PSL), propôs como solução a criação de um cronograma de pagamentos, o que poderia atender a necessidades dos dois lados. A presença de policiais e bombeiros foi organizada pela Associação de Praças de Santa Catarina (Aprasc).

 

Um problema para o governo

Os aplausos da foto de cima foram para essa saída quase triunfal do deputado Sargento Lima depois de sua manifestação na tribuna da Assembleia. A falta de entendimento entre ele e o Executivo não começou agora. Vem do debate sobre o duodécimo, quando Lima manteve a posição que imaginava ser a defendida pelo governo, mas descobriu, durante reunião de comissões, que o governo resolveu recuar. Ficou rendido, como se diz na gíria policial. E não fez questão de esconder. Agora vem esse novo episódio, antecedido pelo que chamou de “situações vexatórias”, momentos em que tentou conversar com o governador Moisés sobre o assunto e não conseguiu. A última tentativa foi na quinta-feira passada (17). A reunião estava marcada, o parlamentar compareceu acompanhado de dirigentes da Aprasc, mas Moisés estava acompanhando o presidente Bolsonaro. “Eu só queria abrir um canal de diálogo!”, disse. Mas não conseguiu. Nem com Moisés, nem com secretários que poderiam assumir o assunto. Agora o problema cresceu um pouco mais. Na semana passada o deputado Kennedy Nunes (PSD) obteve as assinaturas necessárias com vistas à abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para avaliar a correção do concurso para novos policiais militares. Nunes, envolvido com a Unale e sempre em viagens, apontou Lima como potencial presidente da CPI. Ao não atender o deputado como ele esperava, o governo pode ter arranjado um problema e tanto no Legislativo.

 

(Matéria principal e fotolegenda relacionada da edição de 23/10/2019 da Coluna Pelo Estado, distribuída para 20 diários integrados do interior de Santa Catarina/adisc.com.br e para os portais reunidos em scportais.com.br)

Fotos: Fábio Queiroz/Agência AL